JBL Classic e JBL HDI: desde suas origens ao mais atual em tecnologia de alto-falantes

Por Chris Robinson, Março de 2020

JBL - James BLansing

O legado

Perto dos 75 anos de idade, a JBL é a marca de caixas de som mais antiga, tradicional e reconhecida do mundo. 18 anos antes de ser criada em 1946, seu fundador James Bullough Lansing, cujas iniciais formam a sigla que dá nome à marca, desenvolveu sua primeira caixa de som de qualidade sob o nome de Lansing Sound. Na década de 1930, a partir de uma parceria com um engenheiro da MGM Studios, projetou o primeiro sistema de alto-falantes tecnicamente avançado do cinema - uma conquista que ganhou prêmios da indústria e aclamação da crítica. Sua outra companhia, a AltecLansing, cresceu fora deste desenvolvimento e, enquanto James Lansing vende suas ações nesta empresa, em 1941, inicia o projeto de formar a JBL para continuar o avanço da tecnologia de caixas de som estabelecida nesses empreendimentos anteriores.

Desde os primórdios, JBL tem sido sinônimo de engenharia inovadora de alto-falantes, produzindo o melhor em áudio para teatro, música ao vivo e som de estúdio. Os produtos de áudio doméstico nos anos 1950 e 60 se beneficiaram de desenvolvimentos profissionais, como os monitores compactos Studio 4310/4311 que o Dr. Sydney Harman transformou na caixa de som JBL mais vendida de todos os tempos. Este lendário alto-falante acusticamente idêntico era o JBL L100 Century. É esse legado que continua na JBL Synthesis e na JBL Premium Loudspeakers, representando o melhor em som para o dia a dia que a empresa pode produzir.

Engenharia de caixa de som

A JBL é, antes de tudo, uma empresa de engenharia de alto-falantes que projeta tudo em seus produtos, desenvolvendo eles de acordo com suas especificações exatas. Dezenas de patentes foram concedidas ao longo dos anos, mais recentemente para a inovadora tecnologia de transmissão de driver de compressão D2 - desenvolvida pela JBL Professional nos anos 2010. Os drivers de compressão D2 foram usados pela primeira vez no sistema linear ray VTX para shows ao vivo. Ele eliminou virtualmente as distorções de quebra de cone que eram inerentes aos alto-falantes do tipo “compressão de domo”, oferecendo um som de baixíssima distorção para grandes públicos.

O mesmo driver D2 foi então projetado para o M2 Studio Monitor, que adicionou uma revolucionária guia de onda de alta definição, eliminando de vez a distorção sonora que invadia as salas. O M2 é considerado por muitos na indústria fonográfica como o melhor monitor de estúdio de todos os tempos, considerado a "joia da coroa" dos monitores JBL Studio. Esses desenvolvimentos foram levados aos alto-falantes com driver de compressão/guia de ondas, usados nos sistemas JBL Synthesis, e nos novos alto-falantes HDI e Premium atuais.

O driver de compressão e a guia de ondas não são as únicas tecnologias de alto-falante nas quais a JBL foi pioneira e responsável por aperfeiçoar no mercado. Patentes ao longo dos anos em projetos de residências e estúdios também foram o foco da empresa. Um desenvolvimento notável foi o driver de alta frequência de cúpula de titânio, que trouxe um novo nível de resposta estendida e suave a vários sistemas de alto-falantes JBL.

Mais importante: os avanços na engenharia de alto-falantes foram acelerados na empresa-mãe da JBL a partir da formação do Acoustic Research Group, formado na Harman Corporate em 1991. Este grupo, não vinculado a nenhuma marca Harman, está focado na pesquisa científica usada para desenvolver caixas de som que não apenas têm precisão em uma câmara acústica, mas são comprovadamente as melhores em testes cegos de audição. Por duas décadas ou mais, essa pesquisa foi a chave para entender a percepção sonora das pessoas, influenciando significativamente a forma como todas as partes de um alto-falante são posicionadas. O objetivo da empresa - de ser uma líder comprovada e incomparável do setor - continua.

De volta para o futuro - O retorno da lenda - Os clássicos L100 e L82

O JBL L100 Century original foi popularmente vendido entre 1970 e 1978, sendo naquele momento a caixa de som mais reconhecida e amada por diferentes gerações musicais. O show ao vivo em Woodstock (NY), no verão de 1969, usou alto-falantes JBL para impressionar o numeroso público de 500 mil pessoas. Este marcante evento teve um papel importante para, logo em seguida, a JBL introduzir essas novas caixas de som no ambiente do estúdio de gravação, mas pensando também no mercado doméstico.

Adorado por músicos e seus fãs, o impulsionamento dos sistemas estéreo na década de 1970 fez do L100 original uma das caixas de som mais cobiçadas da época. Em 2018, a JBL decidiu reintroduzir um novo L100. No entanto, a questão: como recriar um clássico que captasse tão bem as emoções do original com o conhecimento científico adquirido que conversa com tantas gerações de amantes de música?

O JBL L100 Classic preenche ambos os requisitos. À primeira vista, parece extraordinariamente com o original, mas um olhar mais atento revela um sistema de alto-falantes um pouco maior - e muito mais pesado, com 26 kilos cada. Apesar do visual semelhante, utiliza materiais modernos que não se degradam com o tempo. O gabinete, que abriga as 3 vias de alto-falantes, é maior e mais rígido para acomodar o woofer de 12”, além dos alto-falantes verticais de média e alta frequência. O tweeter de cúpula de titânio usa uma estrutura magnética consideravelmente maior para resposta de alta frequência estendida e eficiência de energia. O sistema foi projetado com uma dinâmica excepcional para qualquer gênero musical.

O L100 Classic lembra um alto-falante de estante: é consideravelmente grande e soa melhor em seu pedestal JS120. Usando o suporte, ajusta a caixa perfeitamente para ouvir a uma distância de cerca de 2,5 metros. No entanto, para alguns o L100 Classic pode ser até mesmo grande demais, visto que parte do público deseja algo menor e com um preço reduzido - o que nos leva ao L82 Classic.

O L82 Classic não reflete nenhum visual exato dos anos 70 ou 80. Em vez disso, recria a aparência e o som do L100 Classic como, em termos de posição, um irmão menor e mais flexível. (Para mim, parece o L26 que meu colega de quarto teve na faculdade, mas estou divagando). O L82 apresenta um design de duas vias com um woofer de 8” e tweeter idêntico ao L100 Classic. Parece muito com o L100 Classic com um pouco menos de graves (e não tocará tão alto). Para aqueles que desejam um L100 Classic pequeno, no entanto, ele cumpre seu papel excepcionalmente bem - e soa ainda melhor quando colocado em uma estante de livros ou em seus pedestais personalizados (JS-80). Esses suportes altos podem até ser usados no L100Classics se um posicionamento no andar superior for desejado, ou se o assento estiver a menos de 2,5 metros de distância.

Finalmente, o L82 - uma caixa de som de duas vias com um ponto de cruzamento mais alto do woofer - é embalado em pares de alto-falantes direito e esquerdo, com imagem espelhada offset para aprimorar sua excelente capacidade de criação do palco sonoro. Este elemento de design contrasta com o L100 Classic, em que uma matriz de driver espelhada não é necessária devido a um ponto de cruzamento muito mais baixo.

Quando falamos da L100 e da L82 Classics, abordamos designs modernos que remetem às emoções e à sensação dos anos 1970. Como Les Paul escreveu em 2006, em “The JBL Story”, de John Eargle: “Lembre-se, é tudo sobre a música!”

Imagem de alta definição: a linha de speakers HDI

A nova série de caixas de som HDI (High Definition Imaging) alia os materiais mais de ponta disponíveis com a tecnologia de driver de compressão derivada de nossos melhores monitores profissionais JBL, além dos sistemas de alto-falantes da linha top chamada JBL Synthesis. Ao contrário de outros sistemas, cada driver (ou alto-falante) usado nos gabinetes foi projetado recentemente. As caixas da HDI não pegaram emprestado nenhum componente de modelos anteriores. O resultado é uma dinâmica e uma clareza impressionantes, em uma variedade de aplicações em sistemas de dois canais “musiconly” e home theaters de alto desempenho.

Uma característica benéfica dos designs de driver de compressão/guia de onda, em geral, é a resposta controlada na sala quando comparada a designs de cúpula e cone semelhantes. A linha HDI concentra sua energia 100 graus horizontalmente e 80 graus verticalmente, o que contrasta com tweeters de cúpula que normalmente se dispersam em padrões de até (e além) de 180 graus. Este controle de dispersão tem vários benefícios: primeiro, minimiza qualquer efeito adverso que a sala possa causar, reduzindo os reflexos. Segundo, ele fornece a mesma energia dentro de seu arco de dispersão, o que resulta em grande benefício ao ouvir fora do eixo conforme o alto-falante soa consistente dentro da área de cobertura. Essas são as características necessárias em uma sala de concertos ou grande espaço de cinema, que produzem uma dinâmica superior e um som que preencha todo o local.

Os alto-falantes principais incluem dois modelos de caixas tipo torrecom um design de 2,5 vias; o HDI-3800, com três woofers de oito polegadas, e o HDI-3600, com três woofers de 6½ polegadas. O design de 2,5 vias oferece uma eficiência excepcional, em que o woofer superior mais próximo do guia de onda HDI é cruzado para uma melhor dispersão de correspondência. Os dois woofers inferiores são dedicados às frequências mais graves. A combinação dos três oferece alto rendimento e extensão profunda nas baixas frequências.

O canal central HDI-4500 também tem um design de 2,5 vias e usa quatro versões de 5¼ polegadas desses mesmos drivers, projetadas para não sofrerem o efeito de dispersão de estreitamento dos designs de alto-falante de canal central horizontal típico. Finalmente, o HDI-1600 é uma caixa do tipo bookshelf de duas vias e usa um único woofer de 6½ polegadas. É excepcional para uso como qualquer canal em um sistema estéreo ou home theater.

As tecnologias de driver do Woofer foram desenvolvidas ao longo dos anos, como os anéis de estabilização de fluxo, os anéis de cobre e o design de motor de campo simétrico. Os recursos são empregados e todos contribuem para a alta eficiência e baixa distorção desses componentes. Cada um deles é totalmente projetado e desenvolvido (como a série Classic) em Northridge, Califórnia, por uma equipe de engenheiros especializados. Tecnologia semelhante é usada no subwoofer HDI-1200P de 1000 Watts de 12 polegadas, que provou ser o nosso subwoofer de 12 polegadas com melhor desempenho na história da JBL.

Um novo driver de compressão da família D2 de uma polegada (2410H-2) é usado em todos os quatro modelos principais - e esse driver aparece pela primeira vez na família HDI, garantindo uma reprodução suave de alta frequência. A novidade é acoplada a um guia de ondas HDI, usado pela primeira vez no M2 e posteriormente em todos os sistemas de caixas da linha JBL Synthesis. O resultado é que todas as caixas se beneficiam da mesma resposta hemisférica uniforme e suave e têm o mesmo timbre em cada modelo. Este driver de compressão idêntico, com a geometria de guia de onda HDI, garante que, quando usado em um sistema de home theater para todos os canais de nível inferior, o palco sonoro e a imersão sejam tridimensionais e realistas.

Uma palavra final

Não podemos pensar em nenhuma outra empresa de caixas de som premium que tenha desfrutado da reputação e da adaptação contínua às condições do mercado como a JBL. Foram as pessoas, a gerência, os engenheiros, o marketing e as vendas que se uniram para administrar a marca por tantos anos. Gerações da empresa têm feito isso com a dedicação em manter a inovação e a excelência técnica que seu fundador, James Lansing, incutiu na marca desde o início. Embora a tecnologia avançada seja importante, são as pessoas que continuam a fazer e manter a marca relevante hoje e no futuro. Boa audição!

- Referência: A história da JBL, de John Eargle.